sábado, 21 de março de 2015

"Xscape Origins": um novo livro que destaca o verdadeiro Legado de Michael Jackson.



| Xscape Origins |

[Novo livro lançado pelo jornalista australiano Damien Shields enfatiza obra artística de Michael Jackson]

"Centenas de livros foram escritos sobre Michael Jackson, mas este é um dos poucos que, esquecendo-se de sua vida privada muito debatida, lança luz em uma área em que a maioria das pessoas aparentam menos informadas; seu trabalho" - Charles Thomson

"Garantido para satisfazer a paleta intelectual de fãs de Michael Jackson que têm sede de mais conhecimento a respeito de sua genialidade e criatividade" - Michael Prince

Disponível para pré-encomenda o livro será oficialmente lançado na terça-feira, 24 de março de 2015.
______________________


Com a onda de interesse póstumo em Michael Jackson diminuindo, livros sobre sua vida e legado estão se tornando escassos, mas também, em média, mais cuidadosamente constituídos. Novo livro "Xscape Origins" por Damien Shields merece ser conferido, uma vez que é dedicado ao assunto que tem sido quase elite no reino da imprensa relacionado a MJ - a música de Michael.


"No mundo Michael Jackson, ano de 2014 foi marcado por o lançamento de uma coleção, denominada Xscape, de oito inéditas músicas de Michael Jackson remixadas por produtores modernos.

O lançamento foi promovido pesadamente na mídia e fez sucesso comercial. No entanto, a ênfase do lançamento, bem como a sua campanha promocional se deslocou visivelmente do trabalho artístico de Michael Jackson para os remixes feitos das canções.

Um documentário com os produtores que falam sobre como eles reinventaram a música do artista falecido, um vídeoclipe com estranhos dançando para um dueto que nunca aconteceu, e um holograma de um imitador de Michael Jackson, realizando uma versão re-escrita de sua música - tudo isso , ironicamente, tinha pouco a ver com Michael e sua arte genuína.

Para pessoas como eu, os admiradores da arte de Michael e música (ou, como são chamados hoje, "puristas"), as versões originais das músicas foram lançadas no edição Deluxe do CD. Essas oito composições, oito jóias escondidas, foram minhas preferidas para a tomada do projeto Xscape.

Hoje, quase um ano após o lançamento da coleção,estou segurando em minhas mãos um livro que brilha a luz sobre essas jóias e lhes dá a devida atenção.

"Xscape Origins: As Canções e Histórias que Michael Jackson deixou para trás" - o novo livro de Damien Shields - explora a história das oito faixas originais lançadas na coleção Xscape.

O livro falou comigo desde o prefácio, onde o autor explica como esse projeto foi concebido. Segundo Damien Shields, nasceu a partir do desejo de dar crédito ao trabalho original de Michael, que recebeu um tratamento aparentemente inferior em seu próprio álbum.

Posso relacionar-me àquela sensação.

Para mim, é bastante óbvio que o valor do material inédito que Michael deixou para trás não está na sua integralidade, e nem é em como contemporânea parece hoje.

Seu valor está em sua capacidade de fornecer um vislumbre de sua mente criativa em uma determinada época. Os sons e peças musicais que ele escolheu para seus arranjos, a "sensação" de que ele aspirava em suas canções são reveladores do seu mundo interior.

Sabe-se que Michael foi extremamente meticuloso quando se tratava de sua música e às vezes passava anos trabalhando no aprimoramento das mesmas para trazê-las para o estado de realização.

Para testemunhar o processo criativo em seu material inacabado é uma forma de "conversar" com o artista, para desfrutar de seu brilho. É por isso que, na minha opinião, o trabalho original deve sempre vir em primeiro lugar, apesar de como moderno e soar bem os remixes poderiam parecer um determinado momento no tempo.

Fiel a esse princípio, "Xscape Origins" repõe a arte original de Michael Jackson de volta aos holofotes.

O livro é composto por oito capítulos - um para cada canção da coleção.

Dois dos capítulos: “She was loving Me" e "A Place With No Name" - são baseados nos artigos previamente publicados no blog de Damien; embora no livro, Damien expande-os com citações adicionais e relatos pessoais. Os outros capítulos são completamente novos.

O livro traça a história de cada música de volta para a sua criação e fala sobre a sua evolução ao longo dos anos. Mas possivelmente o mais importante, ele mergulha o leitor no ambiente em que a música evoluiu.

A coleção Xscape, não aderindo a nenhum determinado conceito, contém canções que vão de 1980 até a era Invincible, de demos gravadas e logo guardadas às canções que Michael trabalhou extensivamente e considerou para o lançamento.

Algumas canções, portanto, têm a história mais longa e mais substancial do que outras. No entanto, Damien coloca até mesmo músicas menos significativas no contexto do tempo e dá a cada composição um contexto rico descrevendo que outro material Michael continuou trabalhando durante o mesmo período, com quem colaborou e que tipo de ideias explorava musicalmente.

Para capturar a energia e paixão nas palavras de parceiros criativos de Michael exclusivamente entrevistados para o livro, Damien escolhe uma abordagem sábia - em vez de recontar a história, ele dá a palavra às testemunhas tanto quanto possível e permite-lhes falar.

Além de compartilhar a história de cada música, através das palavras de colaboradores de Michael, o livro pinta um retrato vívido de Michael através de seu lado artístico e seu modus operandi em um estúdio de gravação.

Quase todas as pessoas citadas no livro mencionam o quanto eles foram influenciados pela experiência de trabalhar com Michael Jackson. Muitos deles eram artistas e produtores realizados em seu próprio direito e eles ainda falam dele quase com reverência e tratam a oportunidade que foi dada como a maior bênção de suas vidas.

A emoção em suas palavras quando descrevem as sessões de gravação é contagiosa.

Algumas das lembranças ("O tom dele é louco, cara. Louco!") dá-lhes arrepios.

Mesmo as pessoas que trabalharam ao lado de Michael, durante muitos anos, como Matt Forger, olha para trás sobre esse período com incredulidade, como se eles não pudessem acreditar plenamente que aconteceu.

"A intensidade [do vocal de Michael], às vezes, seria esmagadora..." Forger diz. "Às vezes eu olho para trás e digo: 'Nossa, eu tomei isto por concedido. Estar presente àquele momento. Foi simplesmente surreal".

Você também terá uma noção de quão exigente Michael foi com os produtores e músicos e quão alta a barreira que ele estabeleceu para eles - e para ele próprio.

Há uma crença comum de que Michael tinha dificuldade em dizer "não" para as pessoas - mas não quando se tratava de sua música.

Como este livro demonstra, mais uma vez, quando se tratava de som e melodia, Michael Jackson era muito exigente e nunca se contentou pelo segundo melhor.

O capítulo " Xscape" o meu favorito no livro, oferece um vislumbre precioso para a química entre Michael, Cory Rooney e Rodney Jerkins, quando este último só se juntou ao projeto Invincible.

O capítulo conta a história de como Michael inicialmente manifestou dúvidas nas habilidades de Rodney e Rodney pretendeu demonstrar-se com tal fervor que ele se trancou no estúdio durante semanas e trabalhou com sua equipe em três turnos em volta do relógio para entregar uma música aceitável à Michael.

Tal era o desejo dos produtores de Michael para alcançar o nível de seu padrão de qualidade.

O capítulo "Do You Know Where Your Children Are" (Você sabe onde seus filhos estão?)é outro que se destacou para mim, porque ele toca em temas sociais na obra de Michael.

Na discografia oficial do MJ, estes temas se tornaram proeminentes com o álbum Dangerous (Bad, é claro, tinha "Man In The Mirror", mas essa música não foi escrita por Michael). No entanto, como Damien argumenta em "Xscape Origins", Michael realmente começa a se concentrar sobre esses assuntos na época da era Bad, com canções como "Do You Know Where Your Children Are", " Abortion Papers " (Papéis de Aborto)e algumas outras que acabaram não fazendo o corte.

Nesse período, quando ele foi considerado por muitos como estando "fora de contato com a realidade" e vivendo em uma terra de fantasia, Michael estava realmente muito sintonizado com os problemas sociais.

Até o momento em que o biógrafo J. Randy Taraborrelli tomou a liberdade para zombar do famoso vídeo "Bad" de Michael, dizendo que seu conceito de vida de rua foi "distorcido" e "caricatural" ("É isso que Michael vê a partir da janela colorida de sua limousine ? "), Michael tinha escrito então a inédita "Do You Know Where Your Children Are" com a sua imagem de tudo muito realista da vida nas ruas que ele testemunhava todas as noites a caminho do estúdio (e não em uma limousine, a propósito, segundo seus colegas, ele estava dirigindo uma surrada Chevy Blazer na época).

Outro tema de destaque em destaque ao longo do livro é o zelo incessante de Michael para o conhecimento, para absorver lições da história e usá-las para alcançar objetivos maiores.

A narração faz um laço maravilhoso, a partir das palavras de Ron Weisner, gerente de Michael, no primeiro capítulo descrevendo a ética do trabalho de Michael no final dos anos 70, quando ele observava os grandes artistas do passado com a intenção de "desenvolver, realizar estudos e achor que ninguém encarou isso como um concorrente" e terminando com uma observação por Rodney Jerkins de Michael fazendo os mesmos 20 anos mais tarde, porque "Você nunca para de estudar os grandes" Michael tornou-se proficiente em aprender com os grandes. E, sendo um artista realizado, talvez ele imaginou que um dia, as gerações futuras estariam estudando o seu processo criativo, da mesma forma e da mesma forma ser inspirado por ela.

Como Matt Forger diz lindamente no prefácio, Michael "adorava contar histórias e gostaria que algum dia pudesse ser ele a história a ser contada."

E, graças a pesquisadores como Damien Shields, agora temos a oportunidade de ouvir a história e aprender com ele"

Avaliado por Morinen

quinta-feira, 19 de março de 2015

Man In The Music: Capítulo 7 - Invincible: As Músicas - " Heaven Can Wait "



5. HEAVEN CAN WAIT



(Escrita e composta por Michael Jackson, Teddy Riley, Andreao Heard, Nate Smith, Teron Beal. E. Laues, e K. Quiller. Produzida por Michael Jackson e Teddy Riley.
Coproduzida por Andreao Heard e Nate Smith.
Gravada por Teddy Riley, Bruce Swedien e George Mayers.
Edição digital: Teddy Riley e Geroge Mayers.
Mixada por Teddy Riley, Bruce Swedien e George Mayers.
Arranjada e orquestrada por Jeremy Lobbock.
Vocal guia: Michael Jackson.
Vocais backgrounds: Michael Jackson.
Vocais backgrounds adicionais: Dr. Freeze e “Que”)


A primeira das quatro colaborações para Invincible com o produtor de Dangerous, Teddy Riley, “Heaven Can Wait” é cada pedacinho tão suave quanto “Break of Dawn”, mas explora uma emoção diferente.
Com as firmes e texturizadas harmonias e clássico sentimento R&B, ela soa como uma atualizada variação dos Bee Gees. Muitos críticos elogiaram a música como uma das melhores ofertas do álbum.
Embora as faixas ritmos de Invincible apresentem um minimalismo mecânico, o sentimento aqui é caloroso e rico. 

A súplica passional de Jackson elabora uma batida balbuciante nos versos, antes de se dissolver como ar no refrão. 
Mark Anthony Neal a descreveu como “uma das melhores performances vocálicas de Jackson, desde ‘The Lady in My Life’ de Thriller”.
É uma música que, sem dúvida, tinha potencial para ser um grande hit R&B, tivesse a Sony lançando-a como single.

Jackson foi apresentado a uma demo anterior da faixa pelo produtor Teddy Riley. “Quando eu fiz esta música com ele”, recorda Riley, “ele segurou o coração dele e disse: ‘Teddy, isto é meu? ’ Eu disse: ‘É sua se você a quiser, Michael’. Ele meio que: ‘ Eu quero, vamos fazê-la! ’ Ele estava tão excitado… Ele disse: ‘Eu quero esta música. Eu preciso desta música na minha vida’”. Jackson, subsequentemente, refinou a estrutura, som e letra.

A música é sobre o desejo de escapar da morte. 
O cantor tem, finalmente, encontrado amor e alegria, mas teme, agora, que lhe sejam tomados. “Diga aos anjos não”, ele canta, “Eu não quero deixar minha amada sozinha”. Esse medo é, de algum modo, perfeitamente consistente com o trabalho anterior de Jackson. Mas enquanto faixas anteriores demonstravam isolamento (“deixe-me em paz”, “Billie Jean não é meu amor”), Jackson, agora, fala para um coletivo “nós”. “Apenas nos deixe em paz”(interessantemente, porém, na engasgada final, ele retorna ao “deixe-me em paz”). A emoção dolorosa transmitida nesses versos finais é genuína. 
O medo não é tanto pela morte em si, é mais pela separação e retorno à solidão. 
A faixa é uma súplica por tempo, amar e ser amado, sem interferência ou intrusão.


Legendado..



Voltar para: Apresentação



............

quarta-feira, 18 de março de 2015

Man In The Music: Capítulo 7 - Invincible: As Músicas - " Break Of Dawn "



4. BREAK OF DAWN

(Escrita e composta por Dr. Freeze e Michael Jackson.
Produzida por Michael Jackon e Dr. Freeze.
Vocal guia: Michael Jackson.
Vocais backgrounds: Michael Jackson e Dr. Freeze.
Todos os instrumentos da música: Michael Jackson, Dr. Freeze, Rodney Jerkins e Teddy Riley.
Gravada por Mike Ging, Brad Gilderman, Humberto Gatica, Dexter Simmons e George Mayers.
Programação de bateria: Michael Jackson e Brad Buxer.
Edição digital: Harvey Mason Jr. e Stuart Brawley.
Mixada por Humberto Gratica, Teddy Riley e George Mayers)


Depois da moagem veloz das primeiras três faixas, “Break of Dawn” é uma suave e sedutora libertação. 


“Raramente, desde Thriller, o artista tem exalado tanto calor”, escreveu o crítico Sal Cinquemani. 
“As harmonias sutis e arranjos simples… não apenas relembram aquela época, mas astutamente a atualiza.” Na verdade, talvez, a faixa seja mais semelhante à “Liberian Girl” de Bad.

O ambiente sonoro dela, produção primorosa e letra romântica são intencionados a capturar o caminho pelo qual o amor e a imaginação podem nos levar. 

Embora Jackson, no passado, sempre associasse sexo a segredo (“In The Closet”) ou culpa (“Dirty Diana”), aqui, ele abraça a intimidade sexual sem reservas ou medo. É tão natural e belo quanto o canto de pássaro que, discretamente, aparece pela faixa.

Na verdade, toda a música é uma celebração Keats dos sentidos. 

O casal, literalmente, está em um mundo que eles mesmos criaram.

 É físico (“Segure minha mão/ Sinta meu suor”), mas também é metafísico. Ele pede a ela que use a imaginação para experimentar coisas que ela “nunca conheceu”. Há muitas viagens metafóricas e escapatórias metafóricas. 

A ideia é que eles estão se afastando de restrições sociais para algo mais natural, conectado, puro e belo.

Jackson coescreveu e coproduziu a música com Dr. Freeze (que também trabalhou com Michael em excelentes faixas que não foram incluídas em álbuns, como “A Place With No Name” e “Blue Gangsta”). 

O ritmo fluido, atmosfera exótica e vocais apaixonados fazem de “Break of Dawn”, uma favorita no álbum para muitos fãs.


Traduzido..


Voltar para: Apresentação



............

sexta-feira, 13 de março de 2015

A Child is a Song - Dancing The Dream - Michael Jackson
















A Criança é uma Canção

Quando as crianças ouvem música, elas não ouvem apenas. Elas se fundem na melodia e fluem com o ritmo. Algo por dentro começa a abrir suas asas – logo a criança e a música são uma.
Sinto-me assim, também, na presença da música e meus melhores momentos de criatividade têm sido passados, muitas vezes, com as crianças. 
Quando estou perto delas, 
a música vem a mim facilmente como a respiração.

Cada canção é uma criança à qual alimento e dou meu amor. 
Mas mesmo se você nunca escreveu uma canção, a sua vida é uma canção. 
Como poderia não ser? 
De onda em onda, a natureza te acaricia – o ritmo de cada amanhecer e cada anoitecer 
é parte de você, 
a chuva que cai toca a sua alma e você vê a si mesmo nas nuvens 
que brincam de esconde-esconde com o sol.
Viver é ser musical, começando com a dança do sangue em suas veias. 
Tudo o que vive tem um ritmo. 
Sentir cada um, suave e atentamente, traz para fora sua música.
Você sente sua música? 

As crianças sentem,
mas depois que crescemos, a vida se torna um fardo e uma obrigação 
e a música enfraquece.
Às vezes, o coração está tão pesado que nos afastamos dele 
e esquecemos que sua batida é a mensagem mais sábia da vida, 
uma mensagem sem palavras que diz: 
“Viva, seja, movimente-se, alegre-se – você está vivo!” 
Sem o ritmo sábio do coração, não poderíamos existir.

Quando começo a me sentir um pouco cansado e sobrecarregado, as crianças me revivem. Dirijo-me a elas para uma nova vida, para nova música. 
Dois olhos castanhos me olham tão profundamente, tão inocentemente, 
e por dentro sussurro: 
“Esta criança é uma canção.” 
É uma experiência direta e tão verdadeira que imediatamente percebo novamente: “Também sou uma canção.” 
Estou de volta a mim mesmo, mais uma vez.


Poema de Michael Jackson: A Criança é uma Canção
Do Livro: Dancing The Dream


Original:

A Child is a Song 

When children listen to music, they don't just listen. They melt into the melody and flow with the rhythm. Something inside starts to unfold its wings—soon the child and the music are one. I feel that way, too, in the presence of music, and my best moments of creativity have often been spent with children. When I am around them, music comes to me as easily as breathing. 

Each song is a child I nourish and give my love to. But even if you have never written a song, your life is a song. How can it not be? In wave after wave, Nature caresses you—the rhythm of each dawn and each sunset is part of you, the falling rain touches your soul, and you see yourself in the clouds that are playing tag with the sun. To live is to be musical, starting with the blood dancing in your veins. Everything living has a rhythm. To feel each one, softly and attentively, brings out its music.
Do you feel your music?

Children do, but once we grow up, life becomes a burden and a chore, and the music grows fainter. Sometimes the heart is so heavy that we turn away from it and forget that its throbbing is the wisest message of life, a wordless message that says, "Live, be, move, rejoice—you are alive!" Without the heart's wise rhythm, we could not exist.
When I begin to feel a little tired or burdened, children revive me. I turn to them for new life, for new music. Two brown eyes look at me so deeply, so innocently, and inside I murmur, "This child is a song." It is so true and direct an experience that instantly I realize again, "I am a song also." I am back to myself once more.

Poem - A Child is a Song - Dancing The Dream

By Michael Jackson


Obrigada Michael por tantas maravilhas!!
I love you more...
Amor Incondicional Sempre!!

........

quarta-feira, 11 de março de 2015

Eu, Michael Jackson, minha avó e a música


Eu, Michael Jackson, minha avó e a música


Jurema, minha avó paterna sempre foi uma figura, no mínimo, engraçada. Carinhosa e valente, descendente de italianos, gordinha, bochechas vermelhas, cabelos brancos e uma infinita sabedoria.

Agricultora e dona de casa, morava na roça, lá no interior do Rio Grande do Sul.

Ela nunca teve acesso aos discos e videoclipes de Michael Jackson. As únicas vezes que ela o viu, foi na TV, ou através de mim, seu amado neto.

Com uma ignorância ingênua, daquelas pessoas que não conseguem diferenciar a atriz da novela e sua personagem, para a minha avó, Michael era meu amigo. Então, como ela sabia da minha paixão, sempre que nos encontrávamos, ela perguntava: “E o Maico, está bem?”

Michael sempre foi como mais um membro de minha família.

Lembro que um dia entre 1984 e 1985, acho que eu devia ter uns 8, 10 anos, ela entrou no meu quarto e viu o vinil do Thriller e disse: “Mas que negro lindo, é teu amigo, meu netinho?” E eu, criança boba respondi que “SIM”, expliquei que ele era cantor nos Estados Unidos (que eu nem sabia onde ficava) e coloquei o disco para ela ouvir. Lembro que ela adorou, mas disse: “Eu não entendo nada do que ele está cantando...” e eu ri. Mas eu também não entendia!

De dois em dois meses, eu, meus pais e meu irmão, íamos para a fazenda dos meus avós, e a tarde, depois do farto almoço, que geralmente era um churrascão, colocávamos fitas cassete para rodar no toca-fitas do carro. E tocávamos Michael, é claro.

Passaram-se muitos e muitos anos e em 1993 meus avós vieram nos visitar!

Nessa época, Michael havia lançado o álbum “Dangerous” (1991), eu tinha 16 anos e já estava com cabelos compridos até os ombros, começando a me apresentar como cover. Em meu quarto haviam muitos quadros de Michael em várias épocas, mas o que chamava mais a atenção, era um quadro IMENSO com a imagem dele ao lado da pantera negra de “Black or White”.

Meus avós vieram nos visitar e ao entrar em meu quarto, minha avó, vendo o quadro gigante, logo disse: “Que moça mais linda! Mas que perigo desse bicho atacar ela...”

Eu respondi: “Vovó, esse é o Michael!”

Ela riu, questionou, duvidou, demorou uns 5 minutos para entender e acreditar que aquela figura andrógina era o “negro lindo” que ela havia elogiado há anos atrás, mas não sem antes ouvir minhas explicações sobre o vitiligo (citando um vizinho dela que tinha a mesma doença), as humilhações vindas do próprio pai, que levaram Michael a mudar drasticamente sua aparência e as razões que eu encontrava para justificar. Também expliquei que a pantera havia sido “domesticada” e não oferecia perigo a ele.

Então, ao final da conversa, ela complementou: “Que coisa triste, um homem tão conhecido e tão ‘cheio de dinheiro’ passar por essas coisas... Mas tu ainda gostas dele assim?” E eu respondi: “É como ele diz numa música dele, vovó... Se você quer ser meu irmão, não importa se você é preto ou branco”.

Depois disso, nunca mais falamos no assunto, a não ser em 1997, quando eu resolvi gravar o videoclipe de “Save Me”, uma dance music que compus e que rodou nas FMS do país, chegando a ser “a melhor da hora” em várias rádios. Quando o videoclipe ficou pronto, fomos até a fazenda de meus avós com um videocassete nas mãos e reunimos a família para assistir.

Quando começamos a rodar a VHS, minha avó se emocionou ao ver o neto “na televisão”.

Para ela, o videoclipe estava sendo exibido em rede nacional. Não tivemos coragem de explicar que não, pois não queríamos destruir aquele momento mágico para ela.

Emocionada e com lágrimas nos olhos, ela disse: “Então agora meu netinho vai ser tão conhecido quanto o ‘Maico’!” e expliquei que não era bem assim, que ainda precisava gravar outras músicas, mas que eu não teria dinheiro para isso.

Minha avó, que vivia do dinheirinho da aposentadoria, logo gritou: “Eu pago! Se é para ver meu netinho feliz, eu pago!”

Lógico que nunca aceitei que ela pagasse, pois nesse dia, recebi um dos maiores presentes da minha vida. A certeza de que minha avó REALMENTE me amava.

Com o passar dos anos, minha carreira como cantor foi ficando para trás, justamente pelo fato de eu ter entendido que eu JAMAIS conseguiria compor e gravar algo tão genial quanto às músicas de Michael. Os álbuns dele vinham recheados de composições tão genialmente complexas e populares, que ao mesmo tempo me motivavam a continuar produzindo, mas me faziam ver que faltava MUITO para eu me considerar minimamente “bom”.

Infelizmente, em 13 de dezembro de 2008, época em que eu já morava aqui no Rio, minha querida avó foi para o Céu. Eu havia ganhado um concurso cultural para assistir Madonna (minha cantora favorita) ao vivo no Maracanã no dia 14 de dezembro.

Dois pares de ingresso para a área VIP na mão, tudo pronto, mas uma dúvida: Eu não deveria estar de luto? Fui criado no catolicismo, então, o luto sempre foi algo importante em minha vida. Um sinal de respeito por quem se foi.

No dia do show, poucas horas antes de Madonna pisar no palco, liguei para a minha mãe e perguntei: “O que eu faço mãe?”

Minha mãe, sabiamente, respondeu: “A ‘vovó’ ia querer que você fosse... Ela sabia que você esperou a vida inteira para ver Michael e Madonna pessoalmente... Vá e pense que ela estará lá contigo!”

E então, fui... Foi um dos momentos mais memoráveis da minha vida!

Quando Michael anunciou “This is It” em 2009, participei de outra promoção cultural, desta vez através de um vídeo que seria escolhido ao lado de outros nove para que os ganhadores fossem assistir ao primeiro show em Londres, com direito a foto ao lado de Michael no camarim.

Por sorte, destino, milagre ou ajuda de Deus, fiquei entre os 3 primeiros lugares e estava pronto para, finalmente, conhecer Michael.

E então, poucos dias antes de eu realizar o maior sonho de minha vida, Michael se foi.

Já perdi amores, amigos, já perdi muitas coisas na vida, mas minhas maiores perdas foram minha amada avó e meu querido amigo Michael.

Como há anos não vou ao Sul, na minha cabeça, minha avó continua lá, com seu olhar doce, sua voz alta, sua força e seu amor infinito, da mesma forma que, por muitas vezes, prefiro mentir para mim mesmo que Michael continua vivo e brincando em Neverland.

As vezes penso que ele e minha avó se encontraram e que conseguem conversar na mesma língua e que estão no Céu olhando por mim e por minha família... Este sentimento é doloroso, mas acalenta minha alma.

O que sei é que um dia, estaremos todos juntos novamente: Eu, Michael Jackson, minha avó e a música.


Por: Maurício Code


Fonte:

Bloco Thriller Elétrico


.............

segunda-feira, 9 de março de 2015

Man In The Music: Capítulo 7 - Invincible: As Músicas - " Invincible "



3. INVINCIBLE

(Escrita e composta por Michael Jackson, Rodney Jerkins, Fred Jerkins III, LaShawn Daniels e Norman Gregg.
Produzido por Michael Jackson e Rodney Jerkins.
Gravado por Bruce Swedien e Stuart Brawwley.
Edição digital por Sttuart Brawley.
Rap gravado por Bob Brown.
Mixada por Bruce Swedien, Rodney Jerkins e Stuart Brawley.
Música programada por Michael Jackson e Rodney Jerkins.
Vocais guia: Michel Jackson.
Vocais background: Michael Jackson.
Rap performando por Fats)

Quando a faixa título rola por aí (a terceira colaboração Jackson-Jerkins), alguns ouvintes podem sentir um pouco de exagero pelo ataque da batida sonora. Anteriores gravações de Jackson, tipicamente, usou esse espaço para abrandar uma balada ou encaixe meio-tempo (“Stranger in Moscow”, “Baby Be Mine”). Porém, Jackon ofereceu uma faixa de batida mais forte, antes de mergulhar em variações de R&B/soul nas quatro músicas seguintes.

“Invincible” é uma clara tentativa de Jackson em ser atual e relevante na cena de R&B do novo milênio. Há elementos de Timbaland, Usher, Jay-Z e R. Kelly (os quais todos, é claro, inspiraram Jackson com o próprio som). Uma acelerada hip-hop/soul híbrida, a faixa se move para uma batida lenta, áspera, metálica, enquanto Jackson implora pelo amor de uma garota. Na avaliação de 2001, Rolling Stones descreveu a música como “ligeiro e durável minimalismo R&B”.

O rapper Fats – que também foi apresentado em “Heartbreaker” – fez reaparição,freestyling na pesada batida de fundo da música. Jackson, da mesma forma, simultaneamente, lamenta um rompimento e seduz com promessas. “O canto dele é petulante, desafiador e forte”, escreveu Robert Hilburn. Mas também há uma geminada emoção para a música, enquanto ele anseia por um amor que ele parece saber que sempre vai iludi-lo.

“Invincible” conclui a câmera aberta do álbum, uma amostra de antigo, moderno, faixaR&B sonoramente experimental, que ganhou o louvor e respeito de críticos e colegas, da mesma forma.



Voltar para: Apresentação

............


sábado, 7 de março de 2015

Mother Earth- Dancing The Dream - Michael Jackson








Mãe Terra

Caminhando pela praia em um dia de inverno, olhei para baixo, vi uma onda empurrar uma pena sobre a areia. Era a pena de uma gaivota manchada de óleo. Peguei-a e senti a escura película escorregadia em meus dedos. Não pude deixar de me perguntar se o pássaro teria sobrevivido. Estava tudo bem por ali? Eu sabia que não.

Senti-me triste ao pensar como descuidadamente tratamos nossa casa. A terra que todos compartilhamos não é somente uma rocha lançada pelo espaço, mas uma vida, criando existência. Ela cuida de nós, ela merece nosso cuidado em troca. Temos tratado a Mãe Terra do jeito que algumas pessoas tratam um apartamento alugado. Simplesmente destroem e seguem adiante.

Porém, não há nenhum lugar para seguir agora. Trouxemos nosso lixo, nossas guerras e o nosso racismo para toda parte do mundo. Temos que começar a limpá-lo, e isso significa limpar nossos próprios corações e mentes primeiro, porque nos levaram a envenenar nosso querido Planeta. Quanto mais cedo  mudarmos, mais fácil será para sentir nosso amor pela Mãe Terra e o amor que ela tão livremente nos dá de volta.

....

Poema Original..

 MOTHER EARTH

I was walking along the beach one winter day. Looking down, I saw a wave push a feather up on the sand. It was a sea gull feather stained with oil. I picked it up and felt the dark slick film on my fingers. I couldn't help wondering if the bird had survived. Was it all right out there? I knew it wasn't. 

I felt sad to think how carelessly we treat our home. The earth we all share is not just a rock tossed through space but a living, nurturing being. She cares for us; she deserves our care in return. We've been treating Mother Earth the way some people treat a rental apartment. Just trash it and move on. 

But there's no place to move on to now. We have brought our garbage and our wars and our racism to every part of the world. We must begin to clean her up, and that means cleaning up our own hearts and minds first, because they led us to poison our dear planet. The sooner we change, the easier it will be to feel our love for Mother Earth and the love she so freely gives back to us.

(Mother Earth- Dancing The Dream - Michael Jackson)


Michael I Love You More...
Amor Incondicional Sempre!!

.....................

sexta-feira, 6 de março de 2015

Man In The Music: Capítulo 7 - Invincible: As Músicas - " Heartbreaker "



2 - HEARTBREAKER



(Escrita e composta por Michael Jackson, Rodney Jerkins, Fred Jerkins III, LaShawn Daniels, Mischke e Norman Greg. Produzida por Michael Jackon e Rodney Jerkins.
Programação musical por Michael Jackson e Rodney Jerkins.
Gravada por Bruce Swedien e Stuart Brawley e Fabian Marasciullo.
Rap gravado por Bob Brawn. Mixada por Bruce Swedien, Rodeny Jerkins e Stuart Brawley.
Vocal guia: Michael Jackson.
Rap performando por Fats.
Vocais backgorunds: Michael Jackson, Mischke, LaShawn Daniels e Nora Payne)


Com as batidas e sons dela, que ricocheteiam amplamente, “Heartbreaker” soa como o trabalho de um cientista louco no estúdio. Rober Hilburn, do Los Angeles Times,descreveu-a como uma “maravilha sonora”, que leva o artista para dentro de “desafiador território novo”. Mesmo Jon Pareles do, New Your Times, notoriamente crítico de Jackson, reconhecia a “percussão genial” dele em faixa rítmicas como “Heartbreaker”: 

“[Ele] começa o canto dele com grunhidos, suspiros e gritos… contra uma faixa rítmica de barulhos eletrônicos que trepidam e crepitam como alegres buzinas de caminhão em uma rodovia”.

Como com os álbuns anteriores, essa inovação sonora foi ativamente empurrada por Jackson. “Um monte de sons no álbum não são sons de teclado”, ele explicou, “[eles] são, você sabe, basicamente, programados dentro de máquinas. Nós saímos e fazemos nosso próprio som. Nós damos tapas em coisas, nós batemos em coisas, portanto, ninguém pode duplicar o que fizemos. Nós as fizemos com nossas próprias mãos, nós descobrimos coisa e nós criamos coisas. E isso é a cosia mais importante, para ser pioneiro. Ser um inovador”.

“Heartbreaker” é um claro exemplo dessa inovação, mixando techno, pop, hip-hop e funk(ela, também, apresenta o renomado beatboxing de Jackson) para alcançar algo que os “ouvidos não têm escutado”. NME a descreveu como “um groove ativo, percussivo, com um refrão compulsivo repetitivo, mas um clássico altivo [Jackson] de meados dos anos oitenta”.

Liricamente, “Heartbreaker” continua uma bem estabelecida alegria de Jackson. É uma música de sedução e amor rejeitado. “Ela fala os versos que podem controlar minha mente”, ele canta. É uma obsessão temática que começou como “Heartbrek Hotel” e continua em faixas como “Billie Jean”, “Dirty Dina” e “Dangerous”. Para Jackson há uma perpétua desconfiança, até mesmo medo, de certo tipo de mulher (ou, pelo menos, o que ela representa). Há, também, é claro, a persistente tentação e fascinação.

Jackson se sai melhor construindo tensão e pintando uma história em anteriores faixas de sedução. As realizações de “Heartbreaker” residem, principalmente, na inventividade sonora dela. “Eu encontro beleza extraordinária em músicas [tão] rápidas”, escreveu Frank Cogan, do Village Voice. “Ele e Rodney Jerkins… puxa em fuzzes e buzinas e zumbidos – agudeza do techno – ressonâncias truncadas, pequenas notas de baixo, grasnido… Eu não sei se é uma beleza com a qual irei me importar.
A beleza em álbuns anteriores de Michael Jackson me encontrou. Mas algumas vezes, isso leva tempo: eu levei meses em Bad antes de eu, de repente, sentir isso, quando ele canta:‘Ele entrou no apartamento dela/Ele deixou duas manchas de sangue no carpete’ –, mas uma vez que eu senti, muito do álbum pareceu hábil, perspicaz e triste.”

Nota da tradutora:

Fuzzes, ou fuzz, são pedais usados na produção de sons.





Voltar para: Apresentação

............

quarta-feira, 4 de março de 2015

Man In The Music: Capítulo 7 - Invincible: As Músicas - " Unbreakable "



1. UNBREAKABLE


(Escrita e composta por Michael Jackson, Rodney Jerkins, Fred Jerkins III, LaShawn Daniels, Nara Payne e Robert Smith, produzida por Michael Jackson e Rodney Jerkins.
Gravada por Stuart Brawley. Edição digital por Stuart Brawley e Paul Foley.
Mixada por Bruce Swedien, Rodney Jerkins e Stuart Brawley.
Vocal líder: Michael Jackson.
Vocais backgrounds adicionais: Brandy.
Rap performando por The Notorious B.I.G.
Todos os instrumentos musicais tocados por Michael Jackson e Rodney Jerkins)

“Unbreakable” introduz o som do Michael Jackson do novo milênio. 


Como nas incursões sonoras Techno-industriais dele (“Dangerous”, “Scream”), a faixa começa com um prelúdio de sons de máquinas, quase como se a música estivesse descobrindo como se criar sozinha. 
Tematicamente, ela correlata perfeitamente com a identidade híbrida apresentada na capa do álbum: a atitude criativa é consumida pela combinação de biologia e tecnologia, orgânico e digital, humano e máquina.

Jackson permitiu que esta abertura tensa fosse construída com o que soa como um motor em marcha lenta, um grunhido de animal, uma vibração se aproximando, antes de a música explodir em um inesquecível gancho conduzido pelo piano. 
O efeito é impressionante. 
Para um artista que esteve à margem (afastado) por seis anos, isso era uma grande declaração de abertura. 

“A música é, sem dúvida, o destaque do álbum”, escreveu o crítico musical Nikki Tranter em uma avalição de 2001. 

Jackson considerava a faixa uma das favoritas dele no álbum e pressionou para que ela fosse o primeiro single e curta-metragem. (“You Rock My World” foi, por fim, considerada mais apropriada para as rádios, pela Sony).

A decisão de dispensar a música como single de abertura foi, talvez, devido à franqueza dela. Enquanto a maior parte de Invincible lida com “amor e relacionamentos”, “Unbreakable” é uma corajosa declaração de desafio. “Enquanto você me enterra debaixo debaixo de todas suas dores”, Jackson provoca em um verso. “Eu estou firme rindo, enquanto emergindo.”

De algumas maneiras, a música é, também, uma mensagem para ele mesmo, uma convocação de confidência e força em face às adversidades. Como ele explicou para Anthony DeCurtis em uma entrevista simulchat: “Eu fui ao inferno e voltei. Eu tenho, para ser honesto, e ainda sou capaz de fazer o que eu faço e nada pode me deter. Ninguém pode me deter, não importa o quê. Eu paro quando eu estiver pronto para parar. Você sabe e, uhn, eu estou apenas dizendo [em “Unbreakable”], você sabe, eu continuarei seguindo em frente não importa o quê.”

O recorrente gancho de piano-baixo transmite bem essa determinação e perseverança. Durando mais que seis minutos, “Unbreakable” pulsa uma persistente batida que quase empurra através dos alto-falantes, enquanto os vocais staccatos de Jackson ressoam nas letras. 
“Unbreakable é tão impressionante”, escreveu Robert Hilburn, “este habilidoso estéreo retalhista poderia usar isso para demonstrar as maravilhas do último sistema de som deles”.

Por volta da marca 3:50, The Notorious B.I.G faz uma aparição póstuma, oferecendo um suave solo de rap, antes de Jackson fechar a música com clássica forma improvisada. 
A música envia uma mensagem clara: Michael Jackson está de volta. Como uma avaliação colocou: “Ele não vai deixar a coroa pop dele para trás sem uma briga.”





Voltar para: Apresentação

............

segunda-feira, 2 de março de 2015

Man In The Music: Capítulo 7 - Invincible (Parte 2)



Condensado e exibido pela CBS, dois meses depois, os concertos foram assistidos por mais de vinte e cinco milhões de telespectadores, o maior especial musical em uma rede de televisão em mais de seis anos. Isso foi um prometido começo para o longamente esperado retorno de Jackson.

Infelizmente, a manhã seguinte viu o caos e destruição de 11/9. De repente, a música pop, além de muitas outras coisas, parecia supérflua e tomou um lugar secundário, enquanto as pessoas tentavam se reorientar e se recuperar do trauma.



Jackson performando o clássico dele “The Way You Make Me fell” com a Pop star Britney Spears para o 30thAniversary Special dele no Madison Square Garden.

Apesar de receber avaliações mornas dos críticos, Invincible vendeu uma saudável quantia de 366.300 cópias na primeira semana, apenas nos Estados Unidos, (onde muitos previram que ele fracassaria). Dentro de cinco dias, ele tinha, alegadamente, vendido três milhões de cópias globalmente.

O público, no entanto, parecia responder de forma meio indiferente ao primeiro single de Jackson, “You Rock My World”. Embora o single tenha alcançado a 10º posição naBillboard Hot 100, foi criticado por não ser particularmente original ou novo, especialmente dado o quanto o álbum foi aguardado. “You Rock My World” foi o único single líder de Jackson, como artista solo, a não chegar ao Top Five nos Estados Unidos. (O single se saiu muito melhor internacionalmente, chegando a 2º posição no Reino Unido e em 1º na França).
O vídeo para a música apenas reforçou que os dias visionários de Jackson tinham ficado para trás. Dirigido por Paul Hunter (que tinha trabalhado com Mariah Carey, Will Smith e a irmã de Michael, Janet) parecia uma pobre imitação de “Smooth Criminal”, desta vez, filmado em Cuba. Apesar de participações especiais do comediante Chris Tucker e lendas da tela, como Marlon Brando, o vídeo nunca decolou realmente. É claro, não foi apenas o problema com o vídeo em si. Por essa época, vídeos musicais, em geral, não tinham mais o impacto que eles tinham nos anos oitenta e início dos anos noventa. MTV e VH1 tinham mudado mais em direção a reality televisions, enquanto o youtube ainda não existia.

De acordo com aqueles próximos a Jackson, ele também não estava feliz com o álbum. Ele também não estava feliz com a sequência de singles da Sony (ele preferia lançar “Unbreakable” primeiro). Atrás das cenas, problemas muito mais sérios estavam em ebulição. 

Uma rixa grande se desenvolveu entre Jackson e o cabeça da Sony, àquela época, Tommy Mottola. As apostas tinham atingido o ponto de Jackson ameaçar deixar a Sony, enquanto Tommy Mottola informou ao cantor que ele estava preso por cláusulas no contrato.

Dentro de meses, apesar do promissor começo. Invincible começou a cair nos charts e a Sony, abruptamente, encerrou a promoção. 
“Butterflies”, que estava agendada como um lançamento de single, atingiu a 2º posição nos charts R&B tocando sozinha no ar, mas a Sony atrasou e acabou cancelando o lançamento dela. 
Também foi cancelado o vídeo para “Unbreakable” e uma planejada performance para “Whatever Happens” no Grammy.

Os fãs ficaram perplexos e irados. Invincible tinha, alegadamente, vendido cinco milhões de cópias em todo o mundo nos primeiros meses. Então, o que estava acontecendo? ASony já estava desistindo do álbum? Michael estava cansado de trabalhar nele?

Os dois álbuns de estúdio anteriores de Jackson, Dangerous e HIStory, foram promovidos por quase dois anos, Invincible foi abandonado depois de menos de dois meses (embora Mottola, apenas meses antes, ter dito que ele era o melhor trabalho de Jackson desdeThriller). Jackson estava, justificadamente, irado. Ele sentia que Mottola o tinha usado e traído. 
De acordo com uma fonte, Mottola ameaçou “arruinar” Jackson. “não ameaças físicas”, a fonte disse à Fox News, “mas certamente a ameaça de que Michael seria destruído e a carreira dele estaria acabada se ele não concordasse com os termos de Tommy”.

O produtor Rodney Jerkins lamentou que todo o trabalho duro que ele e Jackson colocaram no álbum estava, agora, sendo abandonado, em razão de uma poderosa batalha. “Eu penso que isso é um beco sem saída”, ele disse, “porque não há promoção, não há vídeo. Se não há nada para promover ou vir, como você pode vender álbuns?” A Sony até mesmo se recusou a distribuir o single da caridade de Jackson, “What More Can I Give”, que deveria arrecadar dinheiro para os sobreviventes do 11/9. 
“Eu gostaria de ver a Sony, pelo menos, ter a decência de deixar uma gravadora, terceira parte neutra, lançar as músicas”, disse o produtor executor Marc Shaffel. “todo mundo que tinha ouvido duas músicas sentiram que ambas eram hits número um e que elas arrecadariam muito dinheiro para causas beneficentes”.

Enquanto os motivos de Tommy Mottola para cancelar as promoções pra Invincible tinham sido objeto de imensa especulação, a verdade continua, de alguma forma, obscura. 
Alguns sentiam que o motivo principal era dar o troco pela enorme soma de dinheiro que Jackson tinha gastado fazendo Invncible; outros alegaram que Mottola estava atrás do famoso catálogo dos Beatles.
O que é sabido, como certeza, é que a disputa atingiu um nervo sensível para Michael Jackson. Isso não eram apenas negócios para ele; era traição pessoal. Desde os dias dele na Motown, ele tinha trabalhado sem descanso na arte dele e colocado o coração e a alma dele na carreira. Nesse processo, ele tinha feito bilhões de dólares para gravadoras, incluindo a CBS/Epic e Sony, que o tinham firmemente apoiado. Agora, ele sentia, esse apoio tinha acabado. De muitas formas, o mau tratamento era uma repetição do trauma que ele sentiu com o pai dele: ele sentia que ele era um fantoche, um produto, explorado infinitamente pelo que ele podia oferecer, mas não recebia a básica dignidade de um artista respeitado. A dor ficou pior quando muitos antigos amigos e colegas ficaram do lado de Mottolla. Como em 1993, Jackson se sentiu abandonado, quando ele mais precisou de apoio.

A questão racial mais que exacerbou a situação. Michael Jackson estava bem consciente da história de artistas negros na indústria da música. Desde Chuck Berry a Little Richard, Bo Diddley a Jack Wilson, Jackson viu revolucionários artistas afro-americanos não apenas menosprezados em proporção ás realizações deles, mas explorados pelas gravadoras brancas. Ele assistiu ao herói dele, James Brown, sair em turnê com idade avançada para fazer dinheiro, porque executivos brancos possuíam os direitos e royalties das músicas que fizeram dele uma lenda (isso, na verdade, foi uma razão para que Jackson – com a ajuda do advogado John Branca – não apenas se certificasse de que ele possuía todo o material dele próprio, mas também, ativamente adquirisse direitos autorais das músicas de outros artistas).

Michael Jackson sentia tão fortemente que o caso dele era parte de uma ampla evolução de racismo e exploração na indústria da música, que ele começou a defender o caso dele publicamente. Isso foi uma rara atitude de manifesto político para o cantor. Na conferencia de imprensa, no Harlem, para a National Action Network, apoiado por Jhonnie Cochran e Al Sharpton, Jackson estabeleceu o caso dele:

"É muito triste ver que estes artistas realmente estão sem um centavo, porque eles criaram tanta alegria para o mundo. E o sistema, começando com as gravadoras, totalmente tira vantagem deles… E preciso que vocês saibam que isto é muito importante, pelo que nós estamos lutando, porque eu estou muito cansado – eu estou realmente, realmente cansado da manipulação… Eu estou aqui para falar por toda a injustiça. Vocês precisam se lembrar de algo, o minuto que eu comecei a quebrar os recordes de todos os tempos de vendas – eu quebrei os recordes de Elvis, eu quebrei o recorde dos Beatles – o minuto em que [eles] se tornaram os álbuns mais vendidos de todos os tempos na história do [Guinness World Records], da noite para o dia, eles me chamaram de aberração, eles me chamaram um homossexual, eles me chamaram de abusador de crianças, eles disseram que eu tentei clarear minha pele. Eles fizeram tudo para tentar jogar o público contra mim.

"Eu estou cansado – eu estou realmente, realmente cansado da manipulação.”MJ



Jackson no set do MTV’s Total Request Live com Carson Daly. Depois de uma inicial de markenting.Todas as promoções,singles e vídeos para Invincible foram cancelados devido a
uma rixa entre Jackson e o, então, cabeça da Sony, Tommy Mottola.

Embora houvesse muitos que vissem algumas hipérboles nas alegações de Jackson, houve uma significante quantidade de verdades no maior ponto que eles estavam fazendo. Independentemente do pigmento da pele dele, Jackson, claramente, continuava se identificando com as lutas dos artistas afro-americanos e músicos. A maioria na mídia, no entanto, simplesmente desdenhava as queixas deles como uvas azedas, porque o álbum dele não tinha se saído tão bem quanto esperado.

Independentemente da controvérsia e a decepção em torno de Invincible, como Jackson colocou: “A música é o que vive e dura”. E muito de Invincible, em retrospecto, continua soando muito novo e impressionante.

O padrão para Michael Jackson, é claro, sempre foi ele mesmo.
Um álbum poderia ter várias músicas muito boas (como Invincible tinha), mas se não vendesse cinquenta milhões de cópias e produzisse uma sequencia de # 1 hits, era rotulado de fracasso. “O fato de que [Michael Jackson] é um grande músico está agora esquecido”, observou o crítico musical Robert Cristgau em 2001. “Eu uso a presente tensão porque a) as habilidades dele parecem intactas e b) como somente Frank Kogan tem escutado objetivamente o suficiente para observar, ele está fazendo coisas novas com elas – o funk dele está afiado e as baladas, mais leves, ambos para efeito inquietante.”

Tais avaliações, no entanto, provaram ser minoria. Como usual, muitos poucos críticos foram capazes de focar na música, sem injetar a opinião deles sobre as excentricidades, aparência física e controvérsias pessoais de Michael Jackson. Porém. Se alguém fosse capaz de ultrapassar as distrações e comparações estranhas, Invincible tem os méritos dele. “De todos os álbuns que eu tenho escutado”, disse o rapper Eminem, em 2002, “o melhor do ano é de longe Invincible. Michael Jackson merece muito mais crédito do que está recebendo”.

Na verdade, desde o “minimalismo R&B ligeiro, durável” das faixas a frente do tempo, à rica sentimentalidade dos grooves meio-tempo e à emoção e pureza do vocal das baladas dele, Invincible continuou a mostrar os talentos únicos e diversos de Jackson.

A parte frontal foi carregada com faixas rítmicas afiadas, corajosas, criadas para atrair uma nova geração de ouvintes. “Unbreakeble” e “Heartbreaker”, ambas coescrtitas com Rodney Jerkins, são, sonoramente, músicas explosivas que representam o funk-techno do novo milênio. O tempo é balanceado com suave jam retrô como “Heaven Can Wait” e “Butterflies” e baladas sublimes como “Speechless”. Mark Anthony Neal descreveu o álbum como “um retorno de alguns dos tipos de sólidos R&B contagiantes que marcaram o melhor das gravações de Jackson com os irmãos dele e a estreia ‘adulta’ dele com Off The Wall.” Tematicamente, o álbum tem um segmento similar ao de Dangerous, começando com a determinação e desafio de “Unbreakable”, chegando ao ápice com a transcendência pessoal de “Speechless” e “You Are My Life”, mudando para a consciência social de “Cry” e “The Lost Children” e terminando com a provocativa reviravolta de “Threatened”.


Jackson no set do único vídeo musical dele para Invincible, Your Rock
My World.

Um dos principais debates sobre Invincible, contudo, teve a ver com a lista de produtores dele. Alguns sentiam que a “irregularidade” foi devido a “muitos cozinheiros na cozinha” e acreditavam que Jackson teria sido mais bem servido apenas fixando com um ou dois produtores. “Butterflies”, argumentou Mark Anthony Neal, “é o melhor exemplo de por que o investimento de Jackson em Jerkins foi um equívoco tão grande, pois [Andre] Harris e outros fragmentos do campo do “Toque de jazz” poderiam ter, legitimamente, feito todo o projeto, eles mesmos.” Outros sentiam que Teddy Riley, parceiro de Jackson em um dos mais criativos trabalhos dele (Dangerous), colaborou com uma das faixas mais convincentes do álbum. “Teddy Riley prova, com apenas duas músicas, que ele é uma centena de vezes o jovem compositor descolado inundando a maior parte deste álbum”, escreve Nikki Transter. “Enquanto as batidas jocosas das faixas de Jerkins, absolutamente, são funk e divertidas, é o trabalho influenciado de Riley, como ‘Whatever Happens’ e ‘Don’t Walk Away’, que são mais intrigantes e que fornecem a Jackson o ambiente para experimentar liricamente, vocalmente e instrumentalmente.”

No fim, entretanto, parecia que o argumento de alguém pelo melhor produtor ou melhor visão do álbum tinha mais a ver com as preferências estéticas. Na verdade, todos os principais colaboradores de Jackson – Rodney Jerkins, Teddy Riley, R. Kelly, Floetry e Babyface – eram enormemente talentosos; mas juntos, os trabalhos deles parecia desordenado para alguns ouvintes. O próprio Jackson reconheceu, mais tarde, que ele pode ter trabalhado demasiadamente no álbum e deixado de fora alguns dos primeiros materiais que deveriam ter continuado.

O legado de Invincible, portanto, ainda é, de alguma forma, indefinido. O impacto cultural dele foi relativamente mínimo em relação ao lançamento inicial dele. O médio ouvinte de música iria, provavelmente, reconhecer uma ou duas das músicas dele. Em adição, diferentemente dos álbuns anteriores, não houve nenhuma interpretação visual para associar a ele através de vídeos musicais ou performances. Ele foi um álbum assolado por controvérsias, expectativas não satisfeitas e decepções.

Contudo, o álbum vendeu mais de dez milhões de cópias e foi recentemente votado “o melhor álbum da década” pelos leitores da Billboard.com. 

Muitas das músicas, da mesma forma, nunca ouvidas na época, são redescobertas pela nova geração sem a bagagem e distrações que, antes, as acompanhavam. Para os fãs de Jackson, igualmente, o álbum Invincible e as músicas excluídas dele são um verdadeiro tesouro subestimado de material, que representa o último trabalho, totalmente realizado, de Jackson.
Voltar para: Apresentação

............