Mostrando postagens com marcador Andréa Luisa Bucchile Faggion. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Andréa Luisa Bucchile Faggion. Mostrar todas as postagens

sábado, 4 de outubro de 2014

Michael Jackson - Palestra em Oxford



(O discurso de Michael em Oxford está abaixo desse texto)

"Relembrando 2001, não podemos deixar passar que no último ano Michael desfilou com dois amigos curiosos: Uri Geller, de quem foi padrinho de casamento, e o rabino Shmuley Boteach. Há quantas andam estas amizades hoje, não sabemos. O fato é que, com o rabino, Michael chegou a fundar a Heal the Kids, uma fundação com o propósito de aproximar pais e filhos, sobre a qual simplesmente não se tem ouvido mais falar, depois de muito alarde.

Na modesta opinião desta coluna, que bem pode estar cometendo o pecado da maledicência, tudo que Boteach parecia querer era poder dizer: “Sou eu este aí na foto, ao lado de Michael Jackson”. Talvez Michael tenha se dado conta disso a tempo. De qualquer forma, este tipo de conversa de comadres não nos interessa aqui. De significativo em tudo que envolveu o projeto Heal the Kids, foi a palestra ministrada por Michael em Oxford.

Mas quantas pessoas, fora os fiéis fãs, se lembram que Michael Jackson esteve em Londres, não para cantar, não para receber algum prêmio, não para acompanhar Liz Taylor em alguma homenagem, mas para uma conferência em uma das principais universidades do mundo? Com dois ossos quebrados no pé, Michael chegou a aparecer em cadeira de rodas, mas, na maior parte do tempo, preferiu as muletas, as quais usou de um modo um tanto quanto desajeitado, diga-se de passagem.

A aparência, de um modo geral, era a de um homem cansado e fragilizado, se esforçando para cumprir o compromisso que havia assumido e ainda ser polido com os fãs. Com dificuldades, a palestra foi ministrada em pé. Michael fez questão. A imprensa, do lado de fora por ordem de Michael, reagiu como esperado. Deboche, cinismo e distorções do texto lido por Michael. Assim, o que Michael ganhou com isso?

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

'WE'VE HAD ENOUGH' BASTA! ( Já Tivemos o Bastante)



'We've Had Enough', não é mais um desabafo sobre o linchamento que Michael Jackson vem sofrendo nas mãos dos neoconservadores, falsos moralistas e fundamentalistas que detêm o poder na América. Embora seja universal, no atual contexto, ela é sim um desabafo sobre o que o mundo todo vem sofrendo nas mãos desses republicanos de Bush que tratam gente "esquisita" com algemas e bombas.

Como estamos falando de Michael Jackson, não espere a banalidade de versos como "nós queremos paz" ou "a América mente". A música mais política da carreira de Michael Jackson, sim esqueça 'They Don't Care About Us', não carrega bandeiras políticas explícitas ou levanta bordões anti-Bush. Michael Jackson é o contador de estórias do mundo contemporâneo. Como os sábios de séculos ou mesmo milênios atrás, ele faz sua crítica com parábolas e causos. Foi assim quando ele dançou seus sonhos em forma de livro, por exemplo. 

Em 'We've Had Enough', ele nos leva a imaginar como um pai contaria a uma criança sobre a morte da mãe em um ataque militar, e vice-versa. Há algo mais simples e direto do que esse apelo? Há alguma ideologia que se sobreponha à crua constatação de uma vida interrompida, justificando momentos assim? 

Como me disse em conversa nosso ex-diretor e meu amigo Alvaro Zanotti, estes versos que retratam inocentes pedindo uma explicação sobre a orfandade provocada pela guerra soariam piegas na boca de qualquer outro. Com Michael, eles soam dolorosamente humanos, fazendo-nos pensar, ou melhor sentir, como pudemos permitir que isso acontecesse. Esta é uma das funções de Michael Jackson no mundo: ele nos faz ver o que há de mais simples que, de tão óbvio, não percebemos mais; ele nos mostra que teorias complicadas e sofisticações intelectuais não valem de nada perante a dor nua e humanamente crua. 

Fazer-nos imaginar uma garotinha perguntando a um oficial se Deus lhe disse que ele poderia decidir quem poderia viver e quem deveria morrer é o jeito de Michael de nos ensinar que nenhuma ideia vale uma vida, como diz explicitamente e, portanto, sem a mesma força, uma canção brasileira. É o jeito de um homem simples que olha para a vida sem as lentes das convenções, das ideologias, das fórmulas e das regras... É o jeito de um homem que nos toca por olhar o mundo simplesmente como ele é. A propósito, será que um dia vão entender que é só isso que ele quer dizer quando diz que temos a aprender com as crianças? 

domingo, 14 de setembro de 2014

A Última "Billie Jean"


A Última "Billie Jean"Por Andrea Faggion

"Um ente nasceu ou se metamorfoseou como Michael Jackson há 25 anos em um especial de TV que comemorava os 25 anos da gravadora Motown. Foi o primeiro moonwalk... A primeira aparição do artista de Billie Jean. Fred Astaire e Gene Kelly, maiores dançarinos da época de ouro de Hollywood, ficaram simplesmente maravilhados. Astaire, aliviado, chegou a confessar que morreria em paz tendo encontrado seu sucessor.

De lá para cá, Billie Jean foi evoluindo sem jamais perder sua identidade original. Cada vez mais teatral, como diria Spielberg, ressaltando a luva única... a inesquecível fedora. Nosso Carlinhos de Jesus assinava embaixo, lembrando-se ainda da idéia genial das meias brancas, destacando os pés da entidade em movimento. Talvez atingindo o ápice da teatralidade na performance do clássico na turnê do álbum HIStory, Michael chegava com uma maleta e montava o personagem diante de todos para, finalmente, adentrar o spot de luz... momento de pura magia ("eu sempre terei que fazer Billie Jean no spot de luz rsrs" ~ MJ).

Então veio a turnê final ("the final curtain call") - This Is It. A turnê virou filme. Ninguém precisa relembrar por que. Como seria Billie Jean? Ela estaria lá? Ele... teria... tido... tempo? Vieram as chamadas para a TV, os traillers, o set list... Billie Jean estava lá, mas apenas como música sobreposta posteriormente a outras performances. Ele... não... teria... tido... tempo? Não, não era possível acreditar que aquela entidade faria seu ato final sem a assinatura de sua obra.

O filme This Is It caminha para o fim. As esperanças vão ficando para trás. Pela primeira vez, vemos não só a criatura do gênio, como seu ato de criação. As ordens para cada nota em seu devido lugar, a atenção a cada detalhe técnico. Porém... nada de Billie Jean! De repente... Kenny Ortega (não consigo mais pensar nesse nome sem ouvir a voz de Michael fazendo piada com sua sonoridade latina) aparece dizendo: "Michael estará com uma maleta executiva". Pronto! É o momento, já sabemos que a recriação dar-se-á justamente a partir de HIStory. Espera-se que o próximo take já traga MJ com a maleta e a mágica se dê pela última vez. A última Billie Jean!

Não acontece. Ele apenas planeja a posição da luz e como seu corpo será envolvido por ela, em que momento, de que maneira. Mas então, eis que um tanto de improviso, sem qualquer cenário, sem o figurino, sem efeitos... ironia das ironias... a última Billie Jean sequer tem o spot de luz e a fedora. A última Billie Jean é puramente Michael, para aqueles que ainda duvidavam de onde vinha a magia.

Começa devagar... "a-ha, não é tão bom quanto na era HIStory", já se apressam os mais céticos. Vai ficando mais rápido, mais preciso, o novo arsenal de passos vai aparecendo. A platéia vai se formando. Dançarinos e técnicos se aglomeram aos pés dele. No fim, saltam, agarram a própria roupa, socam o ar, gritam... deliram com o que viram... Kenny Ortega ("Ortega" by MJ), um dos coreógrafos mais bem sucedidos da atualidade, se aproxima em êxtase da entidade: "Isto aqui é um templo... eu sou seu devoto". E this is it..."



Fonte: MJBeats.

Repostagem do dia 07/09/2010

...........

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

A arte de fazer amor com você



A ARTE DE FAZER AMOR COM VOCÊ

Nos (bons) tempos do rebolado de Elvis, a música branca descobriu que precisava se casar com a música negra. Nascia o bom e velho rock’n roll que, diziam, devia ser feito com uma mão branca e uma negra. A mão negra trazia, com seu ritmo, a sexualidade para dentro da música. A mão branca parece que ainda não se sabe bem ao certo o que acrescentou, além dos rostinhos que a mídia preferia ver, mas, bem, isto é outra história.
Hoje, vamos falar de sexo.
O que aconteceu conosco nas últimas décadas? Certamente, mudamos muito, pois, partindo do medo da música e da dança venenosa dos negros, chegamos ao ponto em que a música nem interessa mais face ao sexo. Ela é só a embalagem da sensualidade. Maior símbolo disso é Madonna, afinal, quando você ouve este nome, o que lhe vem à mente em primeiro lugar, música ou sexo? Às vezes, até esquecemos que ela canta. Sua sucessora natural, Britney Spears, aprendeu rápido que, por mais hipócrita e conservadora que seja a sociedade americana, o único meio de continuar no mercado era comercializando sua sexualidade. A bem da verdade, ela sempre soube disso, pois, desde os tempos em que bancava a colegial virgem, não havia inocência, a não ser para ser vendida a marmanjos doentios que, em suas fantasias mais obscuras, preferem menininhas a mulheres.
Mas nem sempre o sexo se sobrepôs à arte e se transformou em mercadoria. Não era para ser assim! Houve um tempo em que o sexo era apenas um modo de ser, uma forma de expressão, da arte. E esses tempos de Elvis e sua pélvis censurada não estão mortos.
Pelo menos não enquanto existir um rebolador chamado Michael Jackson. É fácil perceber o que há em comum entre esses dois mitos, não?


Quando estão atuando, o orgão sexual de cada um parece um centro de onde emana uma espécie de energia que alimenta o show e contagia o público, levando-o a um alto grau de excitação. É fácil perceber o envolvimento erótico de ambos com a música. Certamente, não teriam se tornado mitos sem este envolvimento que os difere de figuras mais insípidas como os Beatles, por exemplo, a quem faltou a mão negra.


O envolvimento de Elvis e Michael com a música é sexual, mas isto com tal naturalidade que o erotismo não impediu Elvis de se tornar um mito da família americana e não apenas dos jovens, sempre mais liberais. Quanto a Michael Jackson, a família sempre se divertiu com seus gestos “obscenos”. Michael se diz um escravo do ritmo para justificar os gestos, mas nem precisava, porque todos já compreendemos. A performance é um ato sexual entre ele e a música que envolve a todos, e, naquele momento, todos compreendem.


Não há o que censurar porque Michael sequer é um sex simbol. Ele não usa o sexo para prostituir a música, mas sim para fazer amor com ela. Na contramão de todas as outras estrelas, sua imagem aparece como assexuada para a maior parte do público, sendo que para uma grande parcela nada parece menos sexualmente atraente do que Michael… fora do palco! No palco, Michael nos leva de volta ao tempo em que brancos espiavam de fora as festas negras sem saber ao certo o que estava acontecendo durante a música.


Seria uma orgia?Mas depois que Elvis abriu a porta da festa, Michael nos convidou a entrar e sentir a música em sua plenitude, ou seja, até mesmo de um modo físico.


Agora você entende por que as garotas desmaiam durante concertos de Michael Jackson mesmo que ele não tenha a carinha de um vocalista de boy band, não é?Agora você entende por que mesmo os fãs heterossexuais do sexo masculino costumam confessar, ainda que embaraçados, que sentem a sensualidade que vem dele?

Ou você vai dizer que nunca sentiu? Calma, não precisa se constranger, tudo que você sentiu foi a arte usando o corpo dele para tocar você da forma mais íntima. Relaxe e aproveite!

por: Andréa Luisa Bucchile Faggion
FONTE: MJBEATS/EDICHYS